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Câmara dos Deputados economiza R$ 5 milhões com o Software Livre
A experiência de migração para software livre na Câmara dos Deputados é um bom exemplo de como o processo pode ser desenvolvido no setor público, especificamente em locais com uma vasta estrutura de tecnologia.
A experiência de migração para software livre na Câmara dos Deputados é um bom exemplo de como o processo pode ser desenvolvido no setor público, especificamente em locais com uma vasta estrutura de tecnologia. Nesta entrevista, o coordenador do Grupo de Software Livre do Centro de Informática da Câmara (CENIN), Olival Gomes Barboza Junior, explica em detalhes como começou a migração na Câmara, como foi a aceitação dos funcionários e quanto foi economizado pelo Legislativo. Estima-se que neste ano de 2004, pelo menos 7.000 máquinas utilizem o Open Office.
SL.GOV.BR - Como começou o processo de migração da Câmara para software livre?
Olival Gomes Barboza Junior - A utilização de Software Livre na Câmara começou de uma forma tradicional. Em 2000 e 2001, a equipe de infra-estrutura e rede começou a utilizar produtos livres para resolver questões de segurança, "relay" de correio eletrônico, resolução de nomes internet, proxy-cache e monitoramento de tráfego e serviços de rede. Em 2002 e 2003, parte da equipe de desenvolvimento começou a utilizar a plataforma Java (até então a plataforma utilizada era apenas Microsoft - COM/DCOM e .Net em grau reduzido). Assim, uma série de aplicativos livres e/ou de código aberto sobre a plataforma Java começaram a ser utilizados, como o ambiente de desenvolvimento Eclipse, "frameworks" como Jakarta Struts e vários plugins livres como Jasper, DisplayTag, entre outras. O Jakarta Tomcat como servidor de aplicação (a rigor, "jsp/servlet container") e o CVS para controle de versão de código.
Também em 2003 começamos a utilizar o OpenOffice.org na parte administrativa da Câmara, mas apenas nos microcomputadores que foram adquiridos a partir do ano passado, a fim de evitar gastos com novas licenças de MS Office. A idéia é migrar as instalações de MS Office 97 existentes para OpenOffice.org 1.1, tendo em vista o encerramento do ciclo de vida do produto proprietário, mas isto está sendo conduzido de forma gradual. Este ano estamos consolidando este objetivo com a formalização de treinamento e suporte ao OpenOffice.org na Câmara.
Este ano houve uma alteração no Grupo de SLivre e, entre outras coisas, vamos registrar algumas coisas que não foram formalizadas anteriormente e fazem falta em momentos como este. Por exemplo, o inventário dos aplicativos que estão sendo *efetivamente* utilizados. :-)
SL.GOV.BR - Quantas máquinas já migraram e como está sendo este processo?
Olival Gomes - Como não estamos fazendo uma migração completa, isto é, não estamos trocando a plataforma (proprietária) sobre a qual as aplicações rodam nas estações de trabalho, fica um pouco difícil responder com precisão esta pergunta. Mas nas estações de trabalho em geral temos algo em torno de 300 a 400 instalações exclusivas de OpenOffice.org, mas estamos colocando o OOo em todas as estações na rede, mesmo as que permanecem (por enquanto) com o MS Office, por questões de compartilhamento ativo de documentos. Estamos falando de mais de 5 mil microcomputadores (este ano este número deve ficar em torno de 7 mil, assim que a entrega e instalação de estações adquiridas no ano passado for concluída). O processo de migração para o OpenOffice.org, especificamente, está sendo conduzido este ano de setor em setor. O Centro de Informática aborda a unidade "candidata" à migração completa e faz a instalação do OpenOffice.org nas máquinas que não tenham sido contempladas com o mesmo, deixa um pessoal de apoio técnico "on site" durante um tempo pré-determinado e oferece apoio ao Centro de Formação e Treinamento da Câmara (CEFOR), que é o departamento responsável pelo treinamento em OOo.
Na parte de desenvolvimento de sistemas, em um universo de cerca de 50 desenvolvedores que codificam (não uso o termo "programadores" porque as atribuições destes aqui vão bem além de apenas produzir código), algo em torno de 10 estão utilizando Eclipse e os demais produtos livres que citei anteriormente para esta finalidade. Este número também deve crescer este ano, uma vez que resolvemos pela padronização da plataforma de desenvolvimento em torno do J2EE e, além disso, outras pessoas devem ser deslocadas para esta finalidade.
SL.GOV.BR - Quais setores da Câmara iniciaram a migração?
Olival Gomes - Os primeiros setores a utilizar efetivamente soluções livres na Câmara foram os responsáveis pela infra-estrutura de TI e rede. Logo depois temos o pessoal de desenvolvimento. Em termos mais gerais, a instalação do OpenOffice.org foi realizada de forma pontual, sendo que apenas este ano adotamos de forma mais rigorosa a abordagem setorial. Neste sentido, o primeiro departamento (com exceção do CENIN) a migrar totalmente para OpenOffice.org foi justamente o CEFOR, mesmo porque eles serão responsáveis pela multiplicação do conhecimento sobre o pacote. O próximo é o Departamento de Material e Patrimônio (DEMAP). Não temos ainda uma lista de quais serão os próximos.
SL.GOV.BR - Como tem sido a aceitação dos funcionários da Câmara?
Olival Gomes - No caso do OpenOffice.org, encontramos resistência, mas nada inesperado, tendo em vista que o MS Office 97 é utilizado há uns 5 anos por aqui. De fato, acredito que o principal problema foi mesmo de escala, pois não tínhamos como adotar de cara a abordagem "setor a setor", e a instalação pontual prejudicou o nível de serviço de alguns usuários, os quais não estavam acostumados ao produto. Também temos o problema de que várias aplicações desenvolvidas aqui fazem uso pesado de macros e "OLE Automation" do MS Office. Estas aplicações ainda vão ser migradas. Nosso maior problema está em encontrar empresas capazes de fornecer treinamento/consultoria em desenvolvimento no OpenOffice.org, bem como em fornecer um suporte nível 2 com preços competitivos. Para os produtos de desenvolvimento, a aceitação do ambiente livre está sendo bastante boa. Inclusive, parte da equipe de desenvolvimento testou um IDE Java proprietário bastante respeitado (com acompanhamento do próprio fornecedor) mas depois preferiu usar o Eclipse.
SL.GOV.BR - Com a adoção do software livre, qual será a estimativa de economia da Câmara? Quanto já foi economizado?
Olival Gomes - Não tenho um número fechado para tudo, pois a economia com a adoção normalmente é função do que não foi gasto. No caso específico do OpenOffice.org, em 2003, a economia estimada é o preço de uma licença de MS Office (equivalente ao Professional) multiplicada pela quantidade de estações em rede à época que deveriam ser migradas (para evitar os problemas de segurança). Assim, acreditamos que o número ficaria perto de R$ 5 milhões, ou algo em torno de 15% do orçamento (sem contingência) do CENIN no ano passado.
SL.GOV.BR - Existe a possibilidade de uma migração completa na Câmara?
Olival Gomes - No momento, temos diversos serviços bem estabelecidos sobre produtos proprietários, portanto não é possível afirmar que haverá (a curto/médio prazo) uma migração completa. Porém, com o amadurecimento das soluções livres no desktop e a adoção de determinadas tecnologias livres no backend (o que já começou), acredito que esta possibilidade é bem interessante.
Fonte: Software Livre no Governo do Brasil: http://www.softwarelivre.gov.br/artigos/camara-dos-deputados-economiza-r-5-milhoes-com-o-software-livre/
SL.GOV.BR - Como começou o processo de migração da Câmara para software livre?
Olival Gomes Barboza Junior - A utilização de Software Livre na Câmara começou de uma forma tradicional. Em 2000 e 2001, a equipe de infra-estrutura e rede começou a utilizar produtos livres para resolver questões de segurança, "relay" de correio eletrônico, resolução de nomes internet, proxy-cache e monitoramento de tráfego e serviços de rede. Em 2002 e 2003, parte da equipe de desenvolvimento começou a utilizar a plataforma Java (até então a plataforma utilizada era apenas Microsoft - COM/DCOM e .Net em grau reduzido). Assim, uma série de aplicativos livres e/ou de código aberto sobre a plataforma Java começaram a ser utilizados, como o ambiente de desenvolvimento Eclipse, "frameworks" como Jakarta Struts e vários plugins livres como Jasper, DisplayTag, entre outras. O Jakarta Tomcat como servidor de aplicação (a rigor, "jsp/servlet container") e o CVS para controle de versão de código.
Também em 2003 começamos a utilizar o OpenOffice.org na parte administrativa da Câmara, mas apenas nos microcomputadores que foram adquiridos a partir do ano passado, a fim de evitar gastos com novas licenças de MS Office. A idéia é migrar as instalações de MS Office 97 existentes para OpenOffice.org 1.1, tendo em vista o encerramento do ciclo de vida do produto proprietário, mas isto está sendo conduzido de forma gradual. Este ano estamos consolidando este objetivo com a formalização de treinamento e suporte ao OpenOffice.org na Câmara.
Este ano houve uma alteração no Grupo de SLivre e, entre outras coisas, vamos registrar algumas coisas que não foram formalizadas anteriormente e fazem falta em momentos como este. Por exemplo, o inventário dos aplicativos que estão sendo *efetivamente* utilizados. :-)
SL.GOV.BR - Quantas máquinas já migraram e como está sendo este processo?
Olival Gomes - Como não estamos fazendo uma migração completa, isto é, não estamos trocando a plataforma (proprietária) sobre a qual as aplicações rodam nas estações de trabalho, fica um pouco difícil responder com precisão esta pergunta. Mas nas estações de trabalho em geral temos algo em torno de 300 a 400 instalações exclusivas de OpenOffice.org, mas estamos colocando o OOo em todas as estações na rede, mesmo as que permanecem (por enquanto) com o MS Office, por questões de compartilhamento ativo de documentos. Estamos falando de mais de 5 mil microcomputadores (este ano este número deve ficar em torno de 7 mil, assim que a entrega e instalação de estações adquiridas no ano passado for concluída). O processo de migração para o OpenOffice.org, especificamente, está sendo conduzido este ano de setor em setor. O Centro de Informática aborda a unidade "candidata" à migração completa e faz a instalação do OpenOffice.org nas máquinas que não tenham sido contempladas com o mesmo, deixa um pessoal de apoio técnico "on site" durante um tempo pré-determinado e oferece apoio ao Centro de Formação e Treinamento da Câmara (CEFOR), que é o departamento responsável pelo treinamento em OOo.
Na parte de desenvolvimento de sistemas, em um universo de cerca de 50 desenvolvedores que codificam (não uso o termo "programadores" porque as atribuições destes aqui vão bem além de apenas produzir código), algo em torno de 10 estão utilizando Eclipse e os demais produtos livres que citei anteriormente para esta finalidade. Este número também deve crescer este ano, uma vez que resolvemos pela padronização da plataforma de desenvolvimento em torno do J2EE e, além disso, outras pessoas devem ser deslocadas para esta finalidade.
SL.GOV.BR - Quais setores da Câmara iniciaram a migração?
Olival Gomes - Os primeiros setores a utilizar efetivamente soluções livres na Câmara foram os responsáveis pela infra-estrutura de TI e rede. Logo depois temos o pessoal de desenvolvimento. Em termos mais gerais, a instalação do OpenOffice.org foi realizada de forma pontual, sendo que apenas este ano adotamos de forma mais rigorosa a abordagem setorial. Neste sentido, o primeiro departamento (com exceção do CENIN) a migrar totalmente para OpenOffice.org foi justamente o CEFOR, mesmo porque eles serão responsáveis pela multiplicação do conhecimento sobre o pacote. O próximo é o Departamento de Material e Patrimônio (DEMAP). Não temos ainda uma lista de quais serão os próximos.
SL.GOV.BR - Como tem sido a aceitação dos funcionários da Câmara?
Olival Gomes - No caso do OpenOffice.org, encontramos resistência, mas nada inesperado, tendo em vista que o MS Office 97 é utilizado há uns 5 anos por aqui. De fato, acredito que o principal problema foi mesmo de escala, pois não tínhamos como adotar de cara a abordagem "setor a setor", e a instalação pontual prejudicou o nível de serviço de alguns usuários, os quais não estavam acostumados ao produto. Também temos o problema de que várias aplicações desenvolvidas aqui fazem uso pesado de macros e "OLE Automation" do MS Office. Estas aplicações ainda vão ser migradas. Nosso maior problema está em encontrar empresas capazes de fornecer treinamento/consultoria em desenvolvimento no OpenOffice.org, bem como em fornecer um suporte nível 2 com preços competitivos. Para os produtos de desenvolvimento, a aceitação do ambiente livre está sendo bastante boa. Inclusive, parte da equipe de desenvolvimento testou um IDE Java proprietário bastante respeitado (com acompanhamento do próprio fornecedor) mas depois preferiu usar o Eclipse.
SL.GOV.BR - Com a adoção do software livre, qual será a estimativa de economia da Câmara? Quanto já foi economizado?
Olival Gomes - Não tenho um número fechado para tudo, pois a economia com a adoção normalmente é função do que não foi gasto. No caso específico do OpenOffice.org, em 2003, a economia estimada é o preço de uma licença de MS Office (equivalente ao Professional) multiplicada pela quantidade de estações em rede à época que deveriam ser migradas (para evitar os problemas de segurança). Assim, acreditamos que o número ficaria perto de R$ 5 milhões, ou algo em torno de 15% do orçamento (sem contingência) do CENIN no ano passado.
SL.GOV.BR - Existe a possibilidade de uma migração completa na Câmara?
Olival Gomes - No momento, temos diversos serviços bem estabelecidos sobre produtos proprietários, portanto não é possível afirmar que haverá (a curto/médio prazo) uma migração completa. Porém, com o amadurecimento das soluções livres no desktop e a adoção de determinadas tecnologias livres no backend (o que já começou), acredito que esta possibilidade é bem interessante.
Fonte: Software Livre no Governo do Brasil: http://www.softwarelivre.gov.br/artigos/camara-dos-deputados-economiza-r-5-milhoes-com-o-software-livre/
Rumo à Democracia Digital
Discurso proferido por Sua Excelência o Ministro da Cultura, Gilberto Gil, durante sessão solene de abertura da Semana de Software Livre no Legislativo no dia 19 de agosto de 2003.
Não devemos nos esquecer de que a cultura digital, que hoje estende a sua teia por todo o planeta, viveu momentos decisivos sob o signo do pensamento transformador – e mesmo sob o signo da utopia.
Basta lembrar a conquista contracultural do microcomputador. A contracultura se responsabilizou por trazer o computador do plano industrial-militar para o plano do uso pessoal, quebrando o monopólio da IBM na área da computação. O escritor Pierre Lévy falou, corretamente, em desvio contracultural da alta tecnologia, em "bricolagem high tech" em meio a grupos da "nebulosa underground", observando que "uma pitoresca comunidade de jovens californianos à margem do sistema inventou o computador pessoal".
Do mesmo modo, aconteceu uma espécie de migração contracultural das viagens de LSD para os laboratórios de alta tecnologia e para o sonho da realidade virtual. A Califórnia era, naquele momento, um centro da viagem contracultural e um centro de alta pesquisa tecnológica. E tudo se misturava: Janis Joplin e engenharia eletrônica, alteradores de estados de consciência e programadores de computador. Foi assim que Stewart Brand, organizador do grande festival psicodélico de 1966 em São Francisco, acabou indo parar no "Media Lab" do Instituto de Tecnologia de Massachussets, trabalhando ao lado de Nicholas Negroponte.
A verdade é que, naquela época, alguns militantes da contracultura passaram a ver, no computador, um instrumento revolucionário de transformação social e cultural. Podemos falar até mesmo de uma espécie de contraculturalismo eletrônico, onde se inclui um livro como "Computer Lib" de Ted Nelson, um jovem criado nas águas do rock e do underground. A supracitada vitória contra a centralização tecnológica em mãos da IBM se deu nesse contexto. Foi uma conquista da cidadania. E foi também nesse contexto impregnado de utopismo contracultural que surgiu o "Apple", o modelo por excelência do computador pessoal.
Ou seja: o que vemos hoje no mundo, na dimensão informática, digital, tem o seu ponto de partida no movimento libertário da contracultura. Nada mais natural, portanto, dessa perspectiva político-cultural, do que a movimentação em favor do software livre, a fim de viabilizar pragmaticamente mais um projeto de nossas utopias realistas.
É uma posição estratégica. O software livre será básico, fundamental, para que tenhamos liberdade e autonomia no mundo digital do século 21. É condição "sine qua non" de qualquer projeto verdadeiramente democrático de Inclusão Digital.
Não podemos nos contentar em ser eternos pagadores de royalties a proprietários de linguagens e padrões fechados. O software livre é o contrário disso. Permitirá a inclusão massiva das pessoas. Permitirá o desenvolvimento de pequenas empresas brasileiras, das nossas futuras "soft houses". E poderá gerar empregos para milhares e milhares de técnicos.
Por tudo isso, o Ministério da Cultura do Governo Lula pensa que o Brasil deve se preparar, concretamente, para se tornar um pólo do software livre no mundo. Este é o caminho para o domínio inteiro da cultura digital. Este é o caminho para a inclusão de todos os brasileiros no universo cultural contemporâneo.
Fonte: Software Livre no Governo do Brasil : http://www.softwarelivre.gov.br/artigos/DicursoGil/
O Banco do Brasil tem, hoje, o maior parque de soluções em software livre na América Latina. O status alcançado é recente, mas, para obtermos esse título, o caminho começou a ser trilhado há 8 anos, quando optamos pelo uso do sistema operacional GNU/Linux em nossa infra-estrutura de Internet/Intranet.Basta lembrar a conquista contracultural do microcomputador. A contracultura se responsabilizou por trazer o computador do plano industrial-militar para o plano do uso pessoal, quebrando o monopólio da IBM na área da computação. O escritor Pierre Lévy falou, corretamente, em desvio contracultural da alta tecnologia, em "bricolagem high tech" em meio a grupos da "nebulosa underground", observando que "uma pitoresca comunidade de jovens californianos à margem do sistema inventou o computador pessoal".
A verdade é que, naquela época, alguns militantes da contracultura passaram a ver, no computador, um instrumento revolucionário de transformação social e cultural. Podemos falar até mesmo de uma espécie de contraculturalismo eletrônico, onde se inclui um livro como "Computer Lib" de Ted Nelson, um jovem criado nas águas do rock e do underground. A supracitada vitória contra a centralização tecnológica em mãos da IBM se deu nesse contexto. Foi uma conquista da cidadania. E foi também nesse contexto impregnado de utopismo contracultural que surgiu o "Apple", o modelo por excelência do computador pessoal.
Ou seja: o que vemos hoje no mundo, na dimensão informática, digital, tem o seu ponto de partida no movimento libertário da contracultura. Nada mais natural, portanto, dessa perspectiva político-cultural, do que a movimentação em favor do software livre, a fim de viabilizar pragmaticamente mais um projeto de nossas utopias realistas.
É uma posição estratégica. O software livre será básico, fundamental, para que tenhamos liberdade e autonomia no mundo digital do século 21. É condição "sine qua non" de qualquer projeto verdadeiramente democrático de Inclusão Digital.
Não podemos nos contentar em ser eternos pagadores de royalties a proprietários de linguagens e padrões fechados. O software livre é o contrário disso. Permitirá a inclusão massiva das pessoas. Permitirá o desenvolvimento de pequenas empresas brasileiras, das nossas futuras "soft houses". E poderá gerar empregos para milhares e milhares de técnicos.
Por tudo isso, o Ministério da Cultura do Governo Lula pensa que o Brasil deve se preparar, concretamente, para se tornar um pólo do software livre no mundo. Este é o caminho para o domínio inteiro da cultura digital. Este é o caminho para a inclusão de todos os brasileiros no universo cultural contemporâneo.
Fonte: Software Livre no Governo do Brasil : http://www.softwarelivre.gov.br/artigos/DicursoGil/
Estamos no caminho certo
Uma decisão que ainda pode ser considerada pioneira para o mercado. Para o BB, uma decisão estratégica e responsável, que possibilitou a integração de outras soluções livres em nosso legado, como serviços, sistemas embarcados e estações de trabalho, tornando a Empresa um caso de sucesso quantitativo e, principalmente, qualitativo, nesse novo paradigma da Tecnologia da Informação.
Nossas decisões estratégicas procuram oferecer produtos e serviços mais tempestivos e diferenciados, com custos menores e mais acessíveis a todos os nichos de clientes gerando fidelização e, conseqüentemente, incremento na utilização de nosso portfólio frente à concorrência. O software livre atende a tais requisitos porque possui um conjunto de características técnicas e econômicas que auxiliam no processo decisório, dentre as quais podemos citar o ciclo de atualizações em convergência com o mercado, alinhamento com o acelerado surgimento de novas tecnologias, otimização de hardware, suporte a maior demanda de recursos e domínio sobre as soluções adotadas.
Estudos realizados por consultorias apontam que as soluções em software livre estão cada vez mais presentes nas grandes empresas e as que mais crescem em número de desenvolvedores e usuários já passam da casa dos milhões. Os grandes players de TI como IBM, Intel e Sun possuem áreas específicas para o desenvolvimento dessas soluções, empregando centenas de milhares de profissionais em áreas como kernel Linux, suporte a hardware, segurança, banco de dados e protocolos abertos. Essas empresas trabalham em conjunto e aplicam com êxito o modelo colaborativo de desenvolvimento, diminuindo seus custos de desenvolvimento, padronizando métodos e minimizando barreiras na migração de sistemas proprietários.
A Dow Jones, por exemplo, que é a maior bolsa de valores do mundo, acaba de migrar seus sistemas para o código aberto. Atualmente, o GNU/Linux é o segundo maior sistema operacional em uso no planeta e, se considerarmos apenas sistemas embarcados e serviços e/ou servidores de infra-estrutura, ocupa o primeiro posto. No Banco do Brasil, o GNU/Linux está presente em mais de 7 mil Servidores, 65 mil Estações e 4,5 mil pontos de sistemas embarcados apenas no Ambiente de Automação Bancária.
Por sermos uma empresa pública, a aquisição sem custos de software livre nos desonera do processo imposto pela Lei de Licitações 8.666, agilizando a tomada de decisão e as condições legais do BB em absorver tecnologia, além de oferecer diferenciais de negócio e reduzir também o envio de royalties para o exterior. Essas vantagens resultam no aumento da disponibilidade de recursos para investimento em tecnologia nacional, gerando novas oportunidades de empregos e renda para o País, reafirmando o compromisso do BB com o desenvolvimento da sociedade.
A implantação de software livre trouxe ainda inovação no processo de evolução e manutenção das soluções. Anteriormente, por essas serem proprietárias, dependiam essencialmente da ação das empresas detentoras de seu código. As soluções finais disponibilizadas por estas empresas nem sempre atendiam aos requisitos de softwares estipulados pelo BB para seus ambientes computacionais que, devido à criticidade e aos controles necessários, pecavam pela falta ou pelo excesso de recursos disponibilizados. Por exemplo, o uso do GNU/Linux e outros softwares livres nos servidores e estações de trabalho da Rede de Agência permitiram a customização de solução específica para este ambiente, o que resultou em uma solução interativa, enxuta e segura focada no negócio, usuários e clientes.
Uma vez que é detectada alguma dificuldade ou necessidade, por exemplo, a solução livre pode rapidamente oferecer condições de ser adaptada. Se utilizássemos um sistema operacional proprietário com sua suíte de escritório e demais aplicações, teríamos muitos recursos desnecessários e que gerariam custos de manutenção/correção pelas falhas de segurança amplamente exploradas, além da baixa aderência aos nossos sistemas de negócio, cujo crescimento ficaria limitado aos recursos e especificações proprietárias detidas apenas por um único fornecedor, gerando uma dependência em toda a cadeia produtiva de TI. Se não bastassem essas desvantagens, essa opção obrigaria o BB a ter sempre elevados custos com novas licenças dessas soluções e de seus padrões proprietários em uso ou de novos softwares/modelos que não atendem realmente a estratégia de TI corporativa, focada na efetividade, na gestão de custos e retorno sobre o investimento.
A opção pelo software livre também beneficiou o corpo técnico do BB, que passou a contar com maiores recursos para o desenvolvimento de aplicativos, levando-os conseqüentemente ao aprimoramento profissional, perenidade e evolução do conhecimento, independência e domínio das tecnologias empregadas num horizonte de tempo maior. Também foi beneficiada a comunidade de software livre que, a partir da implantação em larga escala de soluções livres no BB - considerado o maior caso de uso destas tecnologias na América Latina -, ganhou força e notoriedade no mercado nacional e internacional.
Nossos clientes passaram a ter atendimento mais agilizado e esse tempo ganho é um facilitador para o incremento de novos negócios e a eficiência um fator de fidelização. O resultado é um número menor de reclamações de usuários e clientes nos canais de atendimento, redução de multas e ganho de produtividade que se traduzem em mais vantagens para os clientes, com a redução nos custo dos serviços prestados. O cliente se beneficia de ponta a ponta neste processo e o BB passa a oferecer de forma pró-ativa novos diferenciais e funcionalidades, expandindo suas receitas em todo o ciclo de vida de seus produtos e serviços.
Acreditamos que o software livre é o maior advento da Tecnologia da Informação pós-Internet. Atualmente, se desenvolvem mais softwares do que hardware e as maiores empresas da indústria de TI têm demonstrado isso, como o Google com o projeto Android, a Intel com projetos de virtualização e gestão de energia, a IBM com seu repositório developers network, Red Hat, Mandriva e a Nokia com projetos de mobilidade. O software livre permite que evoluções sejam acompanhadas em tempo real pelo BB, resultando em uso do conhecimento obtido ao longo dos anos, além de minimizar os impactos frentes às mudanças e ciclos tecnológicos, trazendo menos dificuldades aos nossos executivos e administradores de TI na tomada de decisão. Estamos no caminho certo.
Dinis Agostinho dos Santos, analista de tecnologia do Banco do Brasil - trabalha na implantação de software livre nos ambientes da Empresa
Fonte: Software Livre no Governo do Brasil : http://www.softwarelivre.gov.br/artigos/estamos-no-caminho-certo/
